Depois de uma exaustiva semana folheando autos de processos em busca da Meta 2, nada como pentear palavras com o poeta Manoel de Barros.
UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO
1ª Parte
As coisas que não existem são mais bonitas
Felisdônio
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc
etc
etc
Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.




1 comentários:
Que lindo, sr. juiz!
Um pouco mais de Manoel de Barros, talvez o sr. tenha citando, em todo caso...
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.
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